Escrito pela gaúcha Rô Mierling e publicado pela Darkside Books, Diário de uma Escrava é uma história baseada em fatos que narra a vida de Laura, uma garota que foi tirada de sua família e amigos para viver como escrava sexual do homem que a sequestrou. Laura vive num buraco na casa do ‘Ogro’, como chama o sequestrador. O Ogro constantemente desce ao buraco para alimentá-la, retirar suas necessidades fisiológicas de um balde e, claro, estuprá-la.

No buraco, ela passa os dias lembrando de sua família, amigos e o namorado Mauro. Retirada da sua vida como adolescente, a garota precisou crescer isolado do mundo, deixando de lado tudo o que a caracterizava : sua beleza, sua simpatia, e sua inocência. O sequestrador, Estevão, é um homem aparentemente comum, frequenta a igreja, e quando vai à cidade tenta ser simpático com todos, mas na verdade é um psicopata raptor de garotas na idade adolescente.

Com essa premissa, o livro de começo aparenta ter muito a oferecer, explorar, mas a autora não sabe se aprofundar nos pensamentos da protagonista e a história sempre dá voltas e lentamente sai do lugar. Tendo poucas falas, a narrativa é o vital nesse tipo de livro, e o pior defeito de Diário de uma Escrava. Narrada em primeira pessoa, a história apresenta os pontos que darão profundidade à protagonista, mas os repete muitas e muitas vezes, tornando a leitura cansativa e a evolução do livro muito lenta. Laura começa de um jeito e termina de outro, isso é básico de uma história, mas o tempo disso acontecer é muito longo e enjoativo, e na maioria das vezes não apresenta um pensamento que o leitor já não soubesse antes. Um exemplo disso é que na maioria dos capítulos ela se lamenta por ter perdido sua família e o namorado. O livro ignora a inteligência do leitor e tem que ficar repetindo essas tristezas toda hora, como se estivesse dizendo “olha, talvez você tenha entendido o que eu queria dizer, mas por via das dúvidas, vou fazer isso mais 10 vezes, só pra garantir”, como se não tivesse mais nada a acrescentar.

Isso também acontece com o sequestrador, Estevão. Um personagem tão forte como esse precisa ser desenvolvido com cuidado, é preciso entender a mente de um maníaco para o leitor continuar preso à história, coisa que ‘Bom dia, Verônica‘ (outro livro da Darkside) faz com perfeição. Rô apresenta a vida pessoal do sequestrador, o modo como faz suas vítimas, mas não tenta entrar em sua mente, tornando-o apenas um monstro sem nenhum motivo concreto para fazer isso, nenhum impulso ou trauma passado que o levaram à essa condição psicopata.

Dando créditos à autora, o livro é visceral e sem piedade. Apresenta as cenas de estupro detalhadamente, que são as melhores partes do livro pois o leitor consegue sentir verdadeiramente a dor da protagonista, e justamente os únicos momentos em que a repetição narrativa não é algo negativo.

É uma história forte, brutal, mas que falha em seu principal elemento : os personagens. Leitura totalmente recomendada para aqueles que gostaram de O Quarto de Jack e querem descobrir um pouco mais sobre esse mundo infeliz de escravas sexuais. Em compensação à história cansativa, o final é espetacular e arrematador e capaz de arrancar algumas lágrimas.

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REVER GERAL
Diário de Uma Escrava