Resenha | O espadachim de carvão (Affonso Solano)

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Em meio a uma feira de livros em um shopping, encontro um nome familiar : Affonso Solano, um dos criadores do podcast e canal Matando Robôs Gigantes, colunista dos sites Omelete e TechTudo. O livro era o seu primeiro lançamento, O Espachim de Carvão, de 2013. Assim como sua arte de capa, o preço era atrativo, então levei.

De cara fui introduzido ao mundo de Kurgala, onde o jovem Adapak, que carrega as características físicas do título, é perseguido por criaturas exóticas que querem o matar. Aliás, Kurgala é um lugar cheio delas. Seres com muitos olhos, mais braços e pernas do que o casual, colorações e características devidamente atribuídas a cada espécie, que me fizeram utilizar bastante a imaginação para tentar recriar esses espécimes em minha cabeça enquanto acompanhava a trama. Um exercício muito bom, graças a escolha do Affonso em não ousar criaturas já ‘manjadas’ da literatura fantástica, como elfos, centauros, orcs e toda essa turma que a gente já conhece.

Mas.. por que o Adapak tá sendo perseguido mesmo ? Bom, isso você só descobre lá pro final do livro. A narrativa faz um negócio que o Stephen King (It – A coisa, A Torre Negra, O Iluminado) tornou popular e que o Christopher Nolan usa nos seus filmes pra dividir opiniões : mescla os períodos de tempo. Em um capítulo estamos lá com o adolescente Adapak nos muros de Urpur, suando para que o espadachim de pele completamente negra consiga adentrar à cidade; e no outro, conhecemos a criança Adapak, treinando e aprendendo sobre o mundo em sua morada no Lago Sem Ilha.

Assim, quando se aproxima o clímax da trama no período atual, descobrimos o que gerou tudo aquilo num passado nem tão distante, criando mais tensão pra história e prendendo o leitor mais do que se fosse organizado bonitinho, em começo, meio e fim. E eu digo prendendo mesmo, bem coisa de livro best-seller, que não faz você querer largar o livro pra mais nada.

Uma coisa que todo mundo gosta em livros de fantasia assim são as possibilidades de extensão do universo. O Senhor dos Anéis ganhou histórias derivadas, assim como até hoje a gente tem que pesquisar mais a fundo pra entender os reinados e famílias de As Crônicas de Gelo e Fogo. O primeiro volume do Espadachim de Carvão planta essa semente, provoca essa curiosidade, colocando no começo de todos os capítulos trechos da história do reino de Kurgala, além das histórias dos aventureiros Tamtul e Magano, personagens fictícios desse mundo, que mais tarde ganharam um livro publicado (de verdade). Assim, a construção das raças, dos mapas, da mitologia original ficam mais profundas e interessantes, e a gente adora <3.

Ao final, é revelada uma curiosidade importantíssima sobre as espadas que Adapak carrega, Igi e Sumi, além de uma terceira irmã delas, que rendeu a sequência de 2015, subintitulada de As Pontes de Puzur. Agora, se me permitem, vou correndo pra livraria mais próxima pra me teleportar de novo para perto do Espadachim de Carvão, Sirara, Ollak, e toda essa galera. Ah, e leiam também, pra gente poder discutir sobre o livro !